Na história Os três presentes mágicos o autor não finalizou para que você possa escolher com qual dos três irmãos a princesa irá casar. Escolha um dos três e dê sua justificativa.

O que os olhos não vêem

Havia uma vez um rei num reino muito distante,que vivia em seu palácio com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil, ele gostava bastante. Mas um dia, coisa estranha!Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo nosso rei adoeceu.De uma doença esquisita, toda gente, muito aflita, de repente percebeu... Pessoas grandes e fortes o rei enxergava bem. Mas se fossem pequeninas, e se falassem baixinho,o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários tinham de ser escolhidos entre os grandes e falantes,sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,e que fossem bem nascidos.E assim, quem fosse pequeno,da voz fraca, mal vestido, não conseguia ser visto.E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada contra tal situação;pois nem mesmo acreditavanessa modificação.
E se não via os pequenos e sua voz não escutava,por mais que eles reclamassem o rei nem mesmo notava.
E o pior é que a doença num instante se espalhou.Quem vivia junto ao rei logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados, funcionários e agregados, toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível, que até parecia incrível de um vivente acreditar, que os mesmos olhos que viam pessoas grandes e fortes,as pessoas pequeninas não podiam enxergar. E se, no meio do povo, nascia algum grandalhão, era logo convidado para ser o assistente de algum grande figurão. Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.

E logo que ele chegava, no palácio se instalava; e a doença, bem depressa, no tal grandalhão pegava.
Todas aquelas pessoas, com quem ele convivia, que ele tão bem enxergava, cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento, ele agora não tomava o menor conhecimento...Seria até engraçado se não fosse muito triste; como tanta coisa estranha que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado, pouco a pouco, lentamente. Enquanto que próprio rei vivia muito contente;
pois o que os olhos não vêem, nosso coração não sente. E o povo foi percebendo que estava sendo esquecido; que trabalhava bastante, mas que nunca era atendido; que por mais que se esforçasse não era reconhecido.

Cada pessoa do povo foi chegando á convicção, que eles mesmos é que tinham que encontrar a solução
pra terminar a tragédia. Pois quem monta na garupa não pega nunca na rédea! Eles então se juntaram, discutiram, pelejaram, E chegaram à conclusão que, se a voz de um era fraca, juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos, fizessem pernas de pau, então ficariam grandes, e no palácio real seriam logo avistados,ouviriam os seus brados,seria como um sinal. E todos juntos, unidos,fazendo muito alaridoseguiram pra capital. Agora, todos bem altos nas suas pernas de pau. Enquanto isso, nosso rei continuava contente. Pois o que os olhos não vêem nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa! Que ruído tão possante! Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
- Vamos olhar na muralha.
- Ai, São Sinfrônio, me valha neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível! E os barões e os cavaleiros, ministros e camareiros, damas, valetes e o rei
tremiam como geléia, daquela grande assembléia, como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes, que pareciam suportes da própria casa real; agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques fugiam da capital. O povo estava espantado pois nunca tinha pensado em causar tal confusão, só queriam ser ouvidos, ser vistos e recebidos sem maior complicação. E agora os nobres fugiam, apavorados corriam de medo daquela gente. E o rei corria na frente, dizendo que desistia de seus poderes reais. Se governar era aquilo ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui a história a que estou contando. O que se seguiu depois cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei ou se o povo está mandando, na verdade não faz mal. Que todos naquele reino guardam muito bem guardadas as suas pernas de pau.



A Ruth Rocha nos contou uma história que muitas vezes acontece na vida real. Quando não lutamos por aquilo que acreditamos muitas vezes não somos nem ouvidos. Agora faça você um final para essa história. O que houve com o rei? E com seus súditos? Quem governou aquele reino?
Sejam bem-vindos!!